Conheci O Senhor dos Anéis pelos filmes do Peter Jackson assim que começaram a passar na televisão. Nem tinha ideia de que eram baseados em livros. E para piorar, li muitos comentários na época de que era uma leitura difícil, densa, ainda mais para mim, que tinha acabado de começar a ler.

Deixei essa impressão me afastar e evitei conferir estas obras até há poucos dias, quando comecei a ler O Hobbit — a porta de entrada para a Terra-média.

Embora também tenha virado uma trilogia de filmes, O Hobbit é um livro infantil, com um tom bem mais simples e acessível para conhecer um dos universos mais incríveis jamais criados na fantasia. Tanto que marcou um antes e um depois no gênero. E sua história não começa com personagens imponentes nem tramas complicadas, e sim com sujeitinhos pequenos e descalços, tranquilos em casa com bastante comida e que não querem saber de aventuras.

Este artigo vai ser o seu mapa. Um guia da melhor porta de entrada para esse mundo, esclarecendo a ordem de leitura ideal desses quatro livros essenciais.

Quem foi J.R.R. Tolkien: O Professor que amava árvores e histórias simples

Retrato histórico do escritor e professor J.R.R. Tolkien, criador de O Senhor dos Anéis, fumando seu clássico cachimbo.

John Ronald Reuel Tolkien foi um professor inglês com uma imaginação e tanto. Era um sujeito calmo. Fugia de barulheiras e adorava o verde, árvores e caminhadinhas em campos. Muitas das paisagens desses livros são inspiradas nessas caminhadas. Quando não estava em sala de aula, ele escrevia poemas, letras, e um livro para os seus filhos, chamado O Hobbit.

Chegou a emprestar o manuscrito para alguns amigos — um deles sendo o próprio C. S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia. Foram eles que encorajaram o querido a publicar a história.

Deu tão certo e agradou tanta gente que todo mundo pediu por uma sequência. Ele avisou que escrevia devagar, mas, mesmo assim, foi desenvolvendo a continuação. Porém, o que seria a "segunda parte" de O Hobbit foi se tornando outra coisa, mais adulta, madura e sombria. As ideias foram crescendo e tomando uma proporção absurda, que acabou virando O Senhor dos Anéis. Uma história tão longa que precisou ser dividida em três partes pela editora devido aos custos de impressão na época.

Ordem de Leitura Recomendada: Os 4 Livros Essenciais

Capa do livro O Hobbit de J.R.R. Tolkien

O Hobbit (1937)

A Porta de Entrada Perfeita

O mais curto de todos. Esta é a história que nos apresenta este mundo. Aqui aprendemos a geografia básica da Terra-média e suas principais raças. É uma leitura leve e bem-humorada.

Capa do livro A Sociedade do Anel, volume um de O Senhor dos Anéis

A Sociedade do Anel (1954)

O Fim da Inocência e o Começo da Guerra

Um grande salto no tempo — não só de publicação, mas na história também. O que começa como um Hobbit parte 2 vai se tornando uma história muito mais densa e sombria.

Capa do livro As Duas Torres, volume dois de O Senhor dos Anéis

As Duas Torres (1954)

Caminhos Divididos e Resistência

A grande prova de resistência. Por um lado acompanhamos batalhas grandiosas e, por outro, a resiliência de dois amigos enfrentando um ambiente hostil e cinzento.

Capa do livro O Retorno do Rei, volume três de O Senhor dos Anéis

O Retorno do Rei (1955)

O Encerramento Épico e o Peso da Vitória

O grande final da jornada, mas com aquele custo emocional esperado. Uma grande reflexão sobre o significado de vencer uma guerra e o preço de sobrevivê-la.

É bem simples de entender. O Hobbit funcionaria como um prólogo, e a trilogia O Senhor dos Anéis como começo, meio e fim. Tem até como ir direto para A Sociedade do Anel sem ler O Hobbit, mas acredito que a experiência não seria a mesma.

Dicas de ouro para aproveitar melhor a leitura

O que posso recomendar a quem for começar é não se preocupar em decorar nomes e lugares. Confie no ritmo da leitura. Aos pouquinhos vamos ir conhecendo os principais personagens e locais e sem nem perceber, logo estaremos familiarizados com eles. Eu até diria que nem precisa ficar cuidando mapas logo de cara. Naturalmente vamos nos sentir nativos daquelas terras.

Aprecie com calma as paisagens. Como mencionei, Tolkien curtia muito o campo, as árvores. Ele adora descrever colinas, montanhas, rios. São detalhes que ajudam a nos imergir no entorno e fazer parte daquele mundo. Não é para ter pressa.

O Início da Aventura

Agora te convido a começar essa jornada comigo e nosso amigo Bilbo.

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